~desabafos de mais uma mente e alma inquietas~

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

~Um dia~

Um dia vais querer voltar a cheirar os meus cabelos. Um dia vais querer voltar a sentir o meu ritmo, a ouvir o som do meu coração. Um dia vais querer voltar segurar a minha mão, para saberes que tens o meu coração. Um dia vais precisar de me recriar, de nos recriar.
E quando esse dia chegar, vais recorrer a tudo. Fotografias - mas estas não têm o odor, a textura.. Lugares - com estes recrias os acontecimentos, mas não te é suficiente. Aquelas músicas - mas também estas perderam a sua essência quando tentando recriar o passado as utilizaste.
Vais correr ao mar, mas este não parece estar mesmo lá.

As lágrimas vão cair, o real tornar-se-à insuportável e vais querer ir mais fundo, não te vais contentar com o pouco ou nada que te resta, porque aquilo que tinhas deixou de ser suficiente.



Perde-te....


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

~"Lume"~

"Comecei a fumar para te pedir lume.
Tens lume? Perguntei-te.
Sim. Disseste. Levaste a mão ao bolso.
Engatilhaste o zippo. Todo prateado.
Albeiras-te e fizeste concha com a mão direita.
Eras canhoto, como o coração.
Agora. Disseste.
E levei o cirgarro até à chama.
Já está. E sorriste.
Importas-te que te acompanhe? Perguntaste.
Não, claro que não. Claro que não.
Está frio. Disseste. E esfregaste as mãos.
O cigarro sempre aqueçe.
Sim. Tossi.
Estás bem? Perguntaste.
Estou muito bem.
Óptimo. Disseste. E sorriste.
Aquele café além é acolhedor. Não tomas nada?
Um chá fazia bem à tosse. Perguntaste. E disseste.
Sim, um chá calhava bem. Estava mesmo a apetecer-me.
Parece que adivinhei. Disseste. E aí sorri eu.
Tomámos chá e de imediato fizemos planos de vida
Que correram mal, imediatamente mal.

Comecei a fumar para te pedir lume.
Para passar o frio.
Descobri que não viria a morrer
Nem de cancro pulmonar. nem de amor,
mas da própria morte, mal o lume se apagou
e o café fechou as portas. Para sempre."
-Ana Salomé

domingo, 24 de outubro de 2010

~still have hope~

Nós podiamos procurar respostas a todas as perguntas. Esse é aliás o nosso dia a dia. Mas para alcançar maior parte das respostas nem nos esforçamos realmente, e para outras simplesmente nem tentamos. Porque a dúvida alimenta a Esperança, e sem perguntas então, não haveria Esperança.

~Barreira~

Cheguei a casa num estado nostalgico, procurava conforto. Tinha passado o meu sentimento para o papel e queria mostrar-to, partilha-lo contigo. Esperei até ao momento certo para que estivéssemos todos reunidos, como se o "todos" fosse muitos..
Os teus olhos estavam fixos nela. Chamei a tua atenção, queria partilhar algo contigo. Tu acenaste. Acomodei-me na cadeira, procurei o texto e conti a respiração durante um pouco, a observar-te. Era como se eu não tivesse dito nada, apenas ouvias as palavras dela, era como se eu ali não estivesse, os teus olhos apenas a viam a ela. Procurei então o olhar de quem eu depositava mais esperança, mas mesmo a minha mãe não me via ali. Desta vez olhei para a culpada, quem formava uma barreira entre nós, aquela que te afastava de mim naquelas horas em que nos conseguíamos reunir.
Suspirei e abandonei a sala, mas nem disso deste conta. Mantive as palavras, guardei a partilha, guardei a esperança, a desilusão. Deixei-te a ti, pai, mais uma vez, em frente à televisão, a nossa barreira.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

~ ~

Porque a partir do momento em que 
nos deixamos encantar pelo primeiro sorriso, 
a partir do momento em que cedemos ao primeiro 'Olá', às primeiras palavras,
não há volta a dar.
Ele faz parte de tudo, literalmente de tudo o que te fazes.
Sem dares por isso, tudo o que fazes está relacionado com ele, ele está presente em todo o lado. Seja no próprio sítio, seja no teu pensamento, ou simplesmente no teu coração.
Ha! e depois...? Depois do fim?
Não há fim. Se é como tu descreves, não há fim. Pois podes seguir em frente com a tua vida, apaixonares-te de novo, mas ele vai continuar lá. Em tudo... de outra forma o recordarás. Eu realmente acredito que o Amor...é imortal.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

~3 Desejos~

Estava a obrigar-me a adormecer quando oiço um baque enorme na porta do quarto. Instintivamente encolhi-me debaixo dos lençóis, assustada e com o coração bater de tal forma que acreditei mesmo ser possível ouvir o som deste a ecoar no quarto.
Enquanto o meu ritmo cardíaco acalmava levantei-me lentamente e fui até à porta. Abri-a e vi algo no chão. Acendi então a luz e reconheci um objecto - Uma lamparina parecida àquela que aparece no filme do 'Aladino'. Um misto de cores - prata e azul.Conseguia ver o meu reflexo.
Imediatamente o meu rosto iluminou-se. Que três desejos deveria pedir? Dinheiro? Ahh, porque é que teria de ficar com tal decisão nas minhas mãos?
Ignorei. Voltei a fechar a porta e deitar-me na cama, desejando que quando acordasse, aquele objecto desaparecesse - pensava eu.
Não me saía da cabeça. 3 desejos...
Sempre foi meu desejo, sempre sonhei com isso, ver debaixo de água. Assim não teria problemas em controlar a minha respiração. Em seguida, respirar debaixo de água. Ter a máxima liberdade, entregando-me ainda mais completamente àquilo que amo. Depois, ter uma guitarra nova e afinar o piano antigo.
Mas essa não seria eu. Como seria eu capaz de sequer sonhar com tal?
Levantei-me, abri a porta, peguei na lamparina e levei-a para cima da cama. Sentei-me de pernas cruzadas e observei-a no escuro. Respirei fundo.
1- Quero que acabe a guerra, morte e destruição pela mão humana.
2- Quero pedir desculpa à Mãe Natureza. A todos os mares e oceanos poluídos, todos os habitats destruídos, tudo..
e em último lugar..
3- Quero pedir uma segunda oportunidade à Mãe Natureza, quero que o ser humano dê uma oportunidade a si mesmo de fazer melhor.
A lamparina reluziu o brilho dos meus olhos, eu suspirei, pousei-a e dormi profundamente. Segura de que nada iria acontecer, que não iria sofrer um súbito ataque terrorista ou algo do género. Dormi descansada, desejosa de acordar e ver um país genuinamente feliz. Onde os pássaros cantam sem medo e o sol nos dá o seu brilho e calor limpo.
Mas acordei com o típico som de tiros, de gritos de desespero, de caos e destruição. Desejei não ter acordado para o pesadelo diário. Desejei ter ficado no meu sono onde mesmo que a sonhar, todos eram felizes.
Voltei a fechar os olhos e a aninhar-me no meu colchão, desejando apenas voltar a acordar com a imagem do mar, com o som da liberdade, no meu mundo...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

~Liberdade-Ou talvez não...~

Falaram-me de ser livre como o vento.
Sempre quis um dia ser levada por este.
Mas...será que ele é mesmo livre? Não estará ele também preso no seu próprio ciclo?...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

~Encontrei~

Encontrei. Encontrei a agulha no palheiro. E ao contrário do que se pensaria não foi difícil. Pois eu não fui ao palheiro com o intuito de a encontrar-ela é que me encontrou enquanto eu por lá andava.
Observei-a atentamente, mas deixei-a pois sempre me disseram que não deveria apanhar assim as coisas. Mas, para meu próprio espanto, no dia seguinte voltei ao mesmo palheiro, mas desta vez voltei lá com apenas uma razão - olha-la. O mesmo se sucedeu nos dias seguintes; eu voltava lá, admirava-a e arranjava coragem para pegar nela. Nunca o fazia pois tinha receio que me magoasse, que me picasse...
Até que um dia ela se enfiou no meu pé descalço. Doeu, mas essa ferida sarou com o tempo. E agora transporto essa mesma agulha no bolso, e olho-a de quando em quando, agradecendo, pois se não me tivesse picado, não me tinha apercebido de que a perdia.