“Depois de soar o toque para a saída, para o final das aulas foi uma correria até casa. Bem eu não corria propriamente mas andava rápido o suficiente para parecer uma tontinha a andar. Ia ansiosa para chegar a casa, pegar na bicicleta e ir ver o mar. Certos desejos já não constavam nos meus finais de dia. Certamente passavam-me pela cabeça de quando em quando, mas nada que não desviasse eventualmente.
Estava já virar a minha última esquina, a lutar com a confusão da minha mochila para tirar as chaves de casa quando te avistei encostado ao carro vermelho a poucos metros de distância de mim. O coração parou em concordância com o meu corpo. Tudo em mim parou para ter a certeza que o que via não era apenas confusão, mais uma das partidas da minha mente em reconstrução. Tudo em mim parou para te ver a sorrir. Não, não era erro meu. Eras tu definitivamente tu.
Curioso é que depois de te ver o tempo pareceu tomar o meu lugar e ir de bicicleta, passando à velocidade da luz. Tão rapidamente estavas lá ao fundo a sorrir como poucos segundos depois sentia o teu respirar calmo em contraste com o meu, a tua mão a sentir a minha face cansada e incrédula. O teu cheiro, o teu toque, os teus olhos captavam a atenção de qualquer que fossem os meus órgãos dos sentidos; as palavras que não proferias congelavam o mundo em nosso redor; todo o teu ser, inacreditavelmente ali, petrificava a minha pessoa.
Pegaste na minha mão e seguraste-a junto ao teu coração mostrando-me como este batia rápido, como parecia querer saltar do teu peito e unir-se ao meu. E deste-me a prova que mais precisava, devolveste-me o meu maior sorriso, mostraste-me uma boa razão para ser feliz."

