~desabafos de mais uma mente e alma inquietas~

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

~how long~

Durante quanto tempo caminhei naquele fosso frio e sombrio em busca da felicidade, que a minha consciência insinuava ser impossível...?
Não sei. Na luta com a mente e coração perdera a noção de tempo e da própria felicidade. Até que tu, Pedro Gonçalves, apareceste e com o teu sorriso nervoso me mostraste o quão fácil era acender a luz que a vida me ensinou a olhar de novo. Até que tu, Inês Martins, me baixaste uma longa escada e me deste a mão para a subida. E tu Márcia que não ousaste me deixar cair...
A caída é tão simples...
Hoje acordei relutante, queria apenas, ingenuamente, aninhar-me no meu berço. Mas saí, vestir o meu melhor sorriso e enfrentei  a realidade que assentava. Difícil foi mantê-lo face à tua presença, Inês. Face ao olhar que desviavas, à proximidade que evitavas, àquele som tenebroso que tocava dentro de ti, à forma como me pintavas, à vontade que repelias e eu lia nos teus olhos - a vontade de simplesmente fugir, explodir... E a lágrima que escondias que lutava para esquecer, lutava contra a necessidade de me deixar, e o teu coração agarrava-me...agarrava-se a nós...
Mas eu acordei, deixei a minha alma descer as escadas que uma vez ergueste e refugiei-me na escuridão não pensando na saída, deixando apenas à superfície o meu oco sorriso vestido.






sábado, 19 de novembro de 2011

~Do you see it? 3#~

Ainda que não o sabendo, ele prendeu, de novo, o meu olhar.
Parecia, cada vez mais, um lugar mágico - talvez devido a todo aquele mistério envolvido à sua volta, do qual a minha mente se alimentava para criar as suas fantasias; talvez pela ligação que eu imaginava existir entre aquele ser desconhecido.
O facto é que, mais uma vez, lá estava eu, não somente a observar a essência do lugar, mas a plenitude que ele me transmitia. A música que soava no meu coração não era a que saía dos meus headphones, mas sim a do mar, que explodia nele, em mim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

~Do you see it? 2#~

     Estava saturada. A única coisa que me ocorreu foi pegar na bicicleta e voar em direcção àquele refugio que tanto me diz, em S.Pedro. Sentei-me ainda ofegante e deixei cair a bicicleta sobre as pernas enquanto tirava uma caneta de tinta permanente da mala. Com essa mesma caneta desenhei aquelas tão conhecidas iniciais, ingenuamente acreditando que um dia o teu coração pararia surpreso a contempla-las.
     Desviei bruscamente o olhar na tentativa de apagar do meu pensamento a tua presença e, ao longe, identifiquei uma figura sentada sobre as rochas. Permanecia estática ao meu olhar, fitando o mar com os braços apoiados nos joelhos. Tendo suscitado a minha curiosidade, foi àquela mesma figura que o meu olhar se acorrentou naquela tarde, juntamente com o mar e todo aquele ambiente fascinante que possui a capacidade de abrandar todo o meu ser.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

~Do you see it?~


I was running and as always i stopped on that usual stop near the sea. I was just sitting there, staring at the amazing sea, with my face between booth hands when he appeared and sited a few meters away, facing the other side of the view. I looked over my shoulder to confirm my suspects and faced the sea again.
"Sometimes I wish I could be one of them", he said.
"One of who?" I whispered and looked at him sideways, not sure if he was actually talking to me.
Then he pointed at the wild waves that were violently bursting.


sábado, 12 de novembro de 2011

~semente~


Era uma vez uma pequena sementinha à procura de sítio para assentar, germinar. Quando abandonou o berço da sua mãe foi exposta a uma tremenda tempestade. As nuvens choravam com ela. O mar liberta a sua tristeza, e a sua tristeza libertava-se no mar. A lua era a sua melhor amiga aquando abandonada na noite fria e escura. E quando pensava desistir, render-se à tempestade, as estrelas que nunca a abandonaram, trouxeram-na de volta à vida. E uma outra linda sementinha que andava também perdida juntou-se a ela, e juntas reensinaram-se a viver e não sobreviver.
Após assentar, a sementinha, agora planta, deparou-se com o medo de perder as suas estrelas e ainda mais a sua planta amiga e a estrela que sempre brilhara forte aos seus olhos...
Ora outras plantas não se contentaram com a sua pura felicidade, e começaram a difama-la às suas estrelas... Algumas caíram sobre a planta, outras se mantiveram dificilmente seguras. O mundo que a planta pensava já ter seguro, nas mãos desmoronava-se pelas mãos de duas plantas, duas estrelas. Recriaram a tempestade que rapidamente cresceu e a apanhou desprevenida. Uma vez já estando exposta a esta no passado teria a planta adquirido resistência? ou ficado ainda mais fragilizada...?
Cirius, que nunca abandonara o seu pensamento, a estrela a qual, ainda que em silêncio, a planta cantava em plena noite, partiu-lhe o coração. Ainda mais que isso, partiu...  E a planta sua amiga, quebrou o seu caule...

Perdi...perdi a força...
 

Mas eu estou bem, estou bem... Acredito que ao dizê-lo muitas vezes se torne realidade.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

~how come~


how can we dare to feel and not forget;
how can we see without hoping;
how can we wish without feeling;
how can we want without missing;
how can we have without thinking;
how can we dream without falling;
how can we love without getting hurt?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

~tu, que respiras~


 O vento obedece à minha vontade e inunda o meu ser com a sua essência;
Os seus cabelos, puros fios de seda, dançam ritmados, porém selvagens;
O amarelo celestial dos seus olhos hipnotizam-me, e o seu sorriso destemido deixa-me sem fala apanhando-me desprevenido;
Cada respiração sua acelera o bater do meu coração;
Cada palavra proferida é uma flecha aguçada que tão facilmente mata a minha alma como a faz reluzir.
Ela é bela,                     mas não minha.