O meu mundo colapasou completamente, desmoronou-se sobre mim ao tomar consciência da notícia e abateu-me sobre o chão frio da cozinha... Recebi lambidelas e empurrões numa tentativa de consolo por parte da minha única companhia naquela tarde soalheira. Mas este afecto não caiu em mim, o desespero criara uma barreira a meu redor que não deixava transparecer qualquer tipo de sensibilidade que alguma vez existira.
Não conseguia ficar ali, em casa, no chão, inútil, mas também não havia nada a fazer a meu alcance. Pedalei então em direcção ao mar.
Ia completamente descontrolada, e as lágrimas cobriam-me coração e olhos, impedindo-me de pensar ou ver claramente.
Passei o sinal vermelho e entrei na rua a alta velocidade deixando um carro, que quase me batera, a apitar no meio da estrada. Nem tal situação me causara impacto, nada poderia por a minha alma em pior estado (?).
Eventualmente caí - despistei-me ao chegar ao tão desejado farol.
E estava na terra em agonia, a respirar pesadamente, quando ouvi passos a um ritmo que quase igualava o bater do meu coração, cada vez mais próximos. Pouco depois uma mão forte levantou-me e, face à minha ânsia em pegar na bicicleta e continuar com a loucura, apenas se fizeram soar umas palavras, que foram suficientes para estagnar o meu ser.
"Assim não vais a lado algum."
Embora ainda não tivesse visto o seu semblante sabia quem era.
Levantou a minha bicicleta e levou-me a mim e a ela com destreza para o telhado do farol. A minha alma estava, sem vida, sob a sua força.
(este é a continuação de posts anteriores, com seguimento - ~Do you see it?~ ; ~Do you see it? 2#~ ; ~Do you see it? 3#~)

sê forte meu bem, as estrelas estão sempre contigo *
ResponderEliminar