lá apenas havia a luz do crepúsculo consumida pelas nuvens pesadas e o som da chuva a bater na janela aberta. via pouco, mas o suficiente. não sabia bem o que ia para lá fazer, mas deu-me consumiu-me e apenas pude entregar a minha alma ao piano, a unica coisa que me transmitia luz naquela agonia.
improvisei, a duas mãos, algo que nunca tinha feito nem alguma vez pensara poder fazer...mas afinal não era eu quem tocava, mas algo dentro de mim.
deixava notas suspensas e absorvia aquele som em pura nostalgia. cada nota que ressoava nas cordas assustadas pelos martelos enchia-me com imagens, imagens que eu queria, mas não queria ver. imagens de tudo o que me revolta, e imagens de tudo o que me deixa sem palavras, sem fôlego.
hoje aprendi que o extremo de dor é a rendição. que há sentimentos sobre os quais não temos qualquer controlo, resta-nos apenas viver. que a compaixão é uma forma de dor sob amor pelo outro...
aprendi que as lágrimas nunca me disseram nada mas as gotas da chuva sim.

Fôlego*
ResponderEliminarescrito no momento. obrigada*
Eliminar