Não havia raiva como
aquela. Não havia nenhum sítio
onde mais quisesse estar se não diante daquele rapaz que transpirava fúria e
que me olhava como se eu fosse o ser por ele mais odiado.
Eu não queria sair, não
queria fugir... porque, apesar de tudo sabia que era ali que eu pertencia, junto dele, estivesse
ele como estivesse.
Tinha medo. Sim, ao medo não conseguia mentir.
Tinha medo. Sim, ao medo não conseguia mentir.
Continuava a fita-lo sem
saber se lhe devia obedecer. Era uma simples questão‘ Diz-me qual é a carta
mais alta’
Enquanto desvendava as cartas e pensava se lhe devia responder. A mão dele, que estava morta sobre minha perna ergueu-se em direcção ao meu pescoço. ‘
Diz-me qual é a carta mais alta’, repetiu.
Não havia medo, não havia
receio nos seus olhos. Apenas via aquilo que ele demonstrava, como se tudo o
resto desaparecesse.
‘ Qual é a carta mais
alta’ apertou com mais força.
Sentia cada vez menos ar a passar nos meus
pulmões. Eu não gostava de ser testada, não conseguia lidar com isso, indiquei-lhe
a carta mais baixa. Ele virou-as e eu estava certa.
Voltou a tirar duas
cartas e a pô-las no chão viradas para baixo.
‘Qual é a carta mais
alta’, voltou a perguntar.
Olhei-o nos olhos, ele
fixava-me.
‘Não vais parar?’
‘Não até o baralho
acabar. E se não me responderes em 5 segundos começamos de novo.’
Não conseguia proferir
nem uma palavra, mantive-me assim imóvel, a olha-lo nos olhos. Engoli em seco e
indiquei-lhe novamente a mais baixa. Continuei a fazê-lo seguidamente. Mais parecia estar a gozar com ele, apenas eu sabia se estava certa ou não. E
até ao final do baralho poucas cartas tinha errado. Fazia-me confusão, mas não queria
pensar nisso.
Pegou-me pelos cabelos. ‘
Levanta-te.’
Segui a sua força.
‘ Nunca mais me voltes a
fazer isto.’, dizia agarrando-me pelos cabelos e dando-me fortes cabeçadas. ‘
Quando eu falo a sério, quando te digo para fazer uma coisa, tu fazes. Sem
perguntar porquê.’
-B
-B
Sem comentários:
Enviar um comentário
As vossas ondas são sempre essenciais :)