~desabafos de mais uma mente e alma inquietas~

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

~Do you see it? 6#~

(este post é a continuação de anteriores, com seguimento - ~Do you see it?~ ; ~Do you see it? 2#~ ; ~Do you see it 3#~ ; ~Do you see it? 4#~ ; ~Do you see it? 5#~)

Não havia raiva como aquela. Não havia nenhum sítio onde mais quisesse estar se não diante daquele rapaz que transpirava fúria e que me olhava como se eu fosse o ser por ele mais odiado.
Eu não queria sair, não queria fugir... porque, apesar de tudo sabia que era ali que eu pertencia, junto dele, estivesse ele como estivesse.
Tinha medo. Sim, ao medo não conseguia mentir.
Continuava a fita-lo sem saber se lhe devia obedecer. Era uma simples questão‘ Diz-me qual é a carta mais alta’
Enquanto desvendava as cartas e pensava se lhe devia responder. A mão dele, que estava morta sobre minha perna ergueu-se em direcção ao meu pescoço. ‘ Diz-me qual é a carta mais alta’, repetiu.
Não havia medo, não havia receio nos seus olhos. Apenas via aquilo que ele demonstrava, como se tudo o resto desaparecesse.
‘ Qual é a carta mais alta’ apertou com mais força. 
Sentia cada vez menos ar a passar nos meus pulmões. Eu não gostava de ser testada, não conseguia lidar com isso, indiquei-lhe a carta mais baixa. Ele virou-as e eu estava certa.
Voltou a tirar duas cartas e a pô-las no chão viradas para baixo.
‘Qual é a carta mais alta’, voltou a perguntar.
Olhei-o nos olhos, ele fixava-me.
‘Não vais parar?’
‘Não até o baralho acabar. E se não me responderes em 5 segundos começamos de novo.’
Não conseguia proferir nem uma palavra, mantive-me assim imóvel, a olha-lo nos olhos. Engoli em seco e indiquei-lhe novamente a mais baixa. Continuei a fazê-lo seguidamente. Mais parecia estar a gozar com ele,  apenas eu sabia se estava certa ou não. E até ao final do baralho poucas cartas tinha errado. Fazia-me confusão, mas não queria pensar nisso.
Pegou-me pelos cabelos. ‘ Levanta-te.’
Segui a sua força.
‘ Nunca mais me voltes a fazer isto.’, dizia agarrando-me pelos cabelos e dando-me fortes cabeçadas. ‘ Quando eu falo a sério, quando te digo para fazer uma coisa, tu fazes. Sem perguntar porquê.’

-B

Sem comentários:

Enviar um comentário

As vossas ondas são sempre essenciais :)